Perspetivas de profissionais portuguesas da intervenção precoce sobre a avaliação infantil
Contido principal do artigo
DOI:
https://doi.org/10.17979/reipe.2026.13.1.12415Resumo
Este estudo examina as perspetivas de profissionais portuguesas de Intervenção Precoce (IP) sobre o processo de avaliação infantil, centrando-se no seu planeamento, implementação e comunicação de resultados. Foi utilizado um desenho qualitativo com a participação de oito profissionais de IP selecionadas por amostragem intencional. Os dados foram recolhidos por meio de entrevistas semiestruturadas e analisados através de análise de conteúdo. Os resultados destacam o papel central das famílias ao longo de todo o processo de avaliação, particularmente na identificação de preocupações, recursos e prioridades desde as fases iniciais. As práticas de avaliação são predominantemente conduzidas por equipas transdisciplinares nos contextos naturais de cada criança, combinando ferramentas padronizadas com abordagens funcionais e baseadas em rotinas. A partilha de resultados é geralmente realizada em duas fases: uma primeira discussão colaborativa com a família e a subsequente entrega de um relatório funcional. A implicação de professores e terapeutas também foi considerada essencial. As participantes identificam como pontos fortes as práticas centradas na família, o trabalho em equipa e o caráter ecológico e individualizado da avaliação. Contudo, são apontadas limitações relevantes, nomeadamente a escassez de recursos humanos, as restrições temporais e as exigências organizacionais. Entre as recomendações, destacam-se a necessidade de reforçar a formação profissional e de implementar políticas mais flexíveis que facilitem o envolvimento fdas famílias. Estas constatações contribuem para uma melhor compreensão das práticas atuais de avaliação em IP em Portugal e apoiam o desenvolvimento de abordagens mais integradas, ecológicas e centradas na família.
Palavras-chave:
Agências:
Downloads
Detalles do artigo
Referências
BAGNATO, Stephen J. (2007). Authentic assessment for early childhood intervention: Best practices. (2nd ed.). The Guilford Press.
BAGNATO, Stephen J.; GOINS, Deborah D.; PRETTI-FRONTCZAK, Kristie; & NEISWORTH, John T. (2014). Authentic assessment as best practice for early childhood intervention: National consumer social va¬lidity research. Topics in Early Childhood Special Education, 34(2), 116-127. https://doi.org/10.1177/0271121414523652
BAGNATO, Stephen J.; MACY, Marisa; DIONNE, Carmen; SMITH, Nora; BROCK, Robinson J.; LARSON, Tracy; LONDONO, Maria., FEVOLA, A.; BRUDER, M B.; & CRANMER, Jamie (2024). Authentic assessment for early childhood intervention: In-vivo & virtual practices for interdisciplinary professionals. Perspectives on Early Childhood Psychology and Education, 8(1), 41-72. https://doi.org/10.58948/2834-8257.1066
BARDIN, Laurence (2018). Análise de conteúdo. Edições 70.
BOAVIDA, Tânia; AGUIAR, Cecília; & MCWILLIAM, Robin (2013). A Training program to improve IFSP/IEP goals and objectives through the routines-based Interview. Topics in Early Childhood Special Education, 33(4), 200-211. https://doi.org/10.1177/0271121413494416
COUTINHO, Clara (2011). Metodologia de investigação em ciências sociais e humanas: Teoria e prática. Almedina.
CRESWELL, John; & GUETTERMAN, Timothy (2024). Educational research: Planning, conducting, and evaluating quantitative and qualitative research (7th ed.). Pearson.
DECRETO-LEI 281/2009. Cria o Sistema Nacional de Intervenção Precoce na Infância. Diário da República 1193, de 06 de outubro de 2009. https://data.dre.pt/eli/dec-lei/281/2009/10/06/p/dre/pt/html
DIVISION FOR EARLY CHILDHOOD (2014). DEC Recommended practices in early intervention/early childhood special education 2014. http://www.dec-sped.org/dec-recommended-practices
DUNST, Carl J. (2015). Improving the design and implementation of in-service professional development in early childhood intervention. Infants & Young Children 28(3), 210-219. https://doi.org/10.1097/IYC.0000000000000042
DUNST, Carl J. (2020). Modeling the relationships between parent strengths, parenting efficacy beliefs, and child social-affective behavior: Shared activities and child well-being. International Journal of Child Development and Mental Health 8(2), 11-18. https://he01.tci-thaijo.org/index.php/cdmh/article/view/232866
DUNST, Carl J.; & BRUDER, Mary B. (2014). Preservice professional preparation and teachers’ self-efficacy appraisals of natural environment and inclusion practices. Teacher Education and Special Education, 37(2), 121-132. https://doi.org/10.1177/0888406413505873
DUNST, Carl J.; BRUDER, Mary B.; & ESPE-SHERWINDT, Marilyn (2014). Family capacity-building in early childhood intervention: Do context and setting matter? School Community Journal, 24(1), 37-48.
DUNST, Carl J.; ESPE-SHERWINDT, Mary; & HAMBY, Deborah W. (2019). Does capacity-building professional development engender practitioners’ use of capacity-building family-centered practices? European Journal of Educational Research 8(2), 515-526. https://doi.org/10.12973/eu-jer.8.2.513
KEILTY, Bonnie (2020). Assessing the home environment to promote infant-toddler learning within everyday family routines. Young Exceptional Children, 23(4), 199-211. https://doi.org/10.1177/1096250619864076
KEILTY, Bonnie ; TRIVETTE, Carol M. ; & GILLESPIE, Jennifer (2022). Parent agency in promoting child learning: Family perceptions of focusing on family strengths during early childhood assessment and planning practices. Journal of Early Childhood Research, 20(3), 397-412. https://doi.org/10.1177/1476718X221083420
LARANJEIRA, Rita; & SERRANO, Ana M. (2017). Perceção de profissionais e de pais acerca do Ages & Stages Questionnaires (ASQ-PT). Revista de Estudios e Investigación en Psicología y Educación, 11, 179-183. https://doi.org/10.17979/reipe.2017.0.11.2735
LEE, Deborah D.; BAGNATO, Stephen J.; & PRETTI-FRONTCZAK, Kristie (2016). Utility & validity of authentic assess¬ments & conventional tests for international early childhood intervention purposes: Evidence from U.S. national social validity research. Journal of Intellectual Disability: Diagnosis & Treatment, 3(4), 164-176. https://doi.org/10.6000/2292-2598.2015.03.04.2
LEMIRE, Colombe; POITRAS, Maxime; & DIONNE, Carmen (2019). Évaluation authentique en intervention précoce et importance de la complémentarité entre l’évaluation fonctionnelle et normative en psychoeducation. Revue de Psychoéducation, 48(1), 69-88. https://doi.org/10.7202/1060007ar
MACY, Marisa; & BAGNATO, Stephen J. (2024). Wishful LINKing: Authentic environmental measures aligned with programmatic purposes. Early Childhood Education Journal, 52, 259-279. https://doi.org/10.1007/s10643-022-01424-0
MACY, Marisa; BAGNATO, Stephen J.; & GALLEN, Robert (2016). Authentic assessment: A venerable idea whose time is now. Zero to Three, 37(1), 37-43.
MACY, Marisa; BAGNATO, Stephen J.; & WEISZHAUPT, Krisztina (2019). Family-friendly communication via authentic assessment for early childhood intervention programs. Zero to Three, 40(2), 45-51. https://www.zerotothree.org/resource/journal/family-friendly-communication-via-authentic-assessment-for-early-childhood-intervention-programs/
MAS, Joana M.; DUNST, Carl J.; HAMBY, Deborah W.; BALCELLS-BALCELLS, Anna; GARCÍA-VENTURA, Simón; BAQUÉS, Natasha; & GINÉ, Climent (2020). Relationships between family-centred practices and parent involvement in early childhood intervention. European Journal of Special Needs Education, 37(1), 1-13. https://doi.org/10.1080/08856257.2020.1823165
MAGALHÃES, Sandra F.; & PEREIRA, Ana P. S. (2013). A avaliação do desenvolvimento em intervenção precoce: Perceções das famílias portuguesas. Revista Galego-Portuguesa de Psicoloxía e Educación, 21(1), 149-163. https://hdl.handle.net/2183/12611
MCWILLIAM, Robin (2012). Avaliar as necessidades das famílias através de uma entrevista baseada nas rotinas. In R. McWilliam (Ed.), Trabalhar com as famílias de crianças com necessidades especiais (pp. 38-72). Porto Editora.
MORALES-MURILLO, Catalina P.; GARCÍA-GRAU, Pau; MCWILLIAM, Robin; & GRAU, Maria D. (2021). Rasch analysis of authentic evaluation of young children's functioning in classroom routines. Frontiers in Psychology, 12, Article 615489. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2021.615489
PEREIRA, Ana P. S.; PEROSA, Andrea; & REIS, Helena I. (2020). A complementaridade de pais e de profissionais na avaliação em Intervenção precoce. Educação, 43(1), Article e35318. https://doi.org/10.15448/1981-2582.2020.1.35318
PEREIRA, Ana P. S.; & OLIVEIRA, Sandra C. (2017). The benefits and difficulties in the elaboration and implementation of individual intervention plan in early intervention: The perspectives of Portuguese professionals. Early Child Development and Care, 189(6), 965-975. https://doi.org/10.1080/03004430.2017.1359581
PEREIRA, Ana P. S.; & SERRANO, Ana M. (2014). Early intervention in Portugal: Study of professionals’ perceptions. Journal of Family Social Work, 17(3), 263-282. https://doi.org/10.1080/10522158.2013.865426
PINTO, Marta; & SERRANO, Ana M. (2017). Caracterização da participação das famílias no apoio pelas equipas locais de intervenção. Revista de Estudios e Investigación en Psicología y Educación, (11), 217-220. https://doi.org/10.17979/reipe.2017.0.11.2798

