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João Veloso
a:1:{s:5:"gl_ES";s:44:"Universidade do Porto, Universidade de Macau";}
Macao
https://orcid.org/0000-0002-5070-8838
Vol. 26 (2025), Artículos, Páginas 172-191

DOI:

https://doi.org/10.17979/rgf.2025.26.12432
Recibido: 2025-07-08 Publicado: 2025-12-31
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Resumen

Na longa tradição das gramáticas ocidentais, as interjeições têm sido tratadas de forma bastante peculiar: ora ignorando completamente estas unidades, ora detendo-se em particularidades de diversa ordem para não as considerarem formas linguísticas propriamente ditas ou para as relegarem para um plano muito secundário, muitas descrições gramaticais (do português e de outras línguas) concedem-lhes geralmente uma atenção nula ou marginal. Esta secundarização contrasta, porém, com algumas investigações linguísticas que tentam reinscrever as interjeições no conjunto das unidades passíveis de descrição gramatical. Na generalidade dos estudos que se debruçam sobre as interjeições, nota-se uma insistência considerável nas idiossincrasias fonológicas e de outra ordem que parecem contribuir para o seu carácter altamente irregular. Neste estudo, fazendo uma análise fonológica sumária a um conjunto limitado de interjeições primárias do português europeu, verifica-se que os casos de verdadeira irregularidade fonológica destas palavras são minoritários e que muitas das aparentes exceções formais encontradas nas interjeições desta língua são partilhadas por outros subconjuntos lexicais do português. Defendemos assim que conceitos como estrato lexical ou subléxico possam fornecer argumentos para integrar as interjeições na descrição fonológica do português como formas particulares, mas não totalmente irregulares.

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