Mudança curricular e de métodos pedagógicos: impacto vivenciado por estudantes de Medicina || Curricular change and pedagogical methods: Impact experienced by students of Medicine

Luciana Scapin Teixeira, Leandro S. Almeida, Rinaldo Aguilar-da-Silva

Resumen


As mudanças nas formas de ensinar e aprender com ênfase no papel ativo dos estudantes têm sido observadas no Ensino Superior em geral e, em particular, no Ensino Médico. Apesar de haver um número considerável de trabalhos em torno dessa temática, constata-se uma carência relativa a estudos que valorizem a percepção dos estudantes como os agentes ativos de sua própria formação. Logo, com a finalidade de conhecer e analisar a qualidade das experiências vivenciadas, foi realizado um grupo focal com 6 estudantes concluintes do curso de Medicina de uma Faculdade Privada em Minas Gerais - Brasil no qual foram trabalhadas as suas percepções sobre as mudanças a nível do currículo, do curso e dos métodos pedagógicos dos professores, nomeadamente as alterações ocorridas nas vivências acadêmicas e adaptação. Importante destacar que os estudantes da pesquisa tiveram meios de comparação pela convivência com os colegas do curriculo antigo durante toda a formação. Os resultados mostraram que os estudantes foram capazes de identificar as alterações ocorridas no currículo e nos métodos pedagógicos; que os métodos ativos favoreceram qualitativamente as vivências acadêmicas por estreitar e melhorar as relações interpessoais com colegas de turma e de outras áreas, no trabalho interprofissional, além prepara-los melhor para a relação com o paciente. Quanto às atitudes e comportamentos adaptativos, relataram imaturidade, ansiedade e medo inerentes às novidades implementadas e aos cenários reais de prática no início do curso, demonstrando que os mesmos necessitam de apoios vários no processo de transição e adaptação.


Palabras clave


ensino superior; estudantes de medicina; mudança curricular, adaptação acadêmica.

Texto completo:

PDF (Português)

Referencias


Abrão, C. B., Coelho, E. P., & Passos, L. B. S. (2008). Prevalência de sintomas depressivos entre estudantes de medicina da Universidade Federal de Uberlândia. Revista Brasileira de Educação Médica, 32(3), 315-23. https://doi.org/10.1590/S0100-55022008000300006

Aguilar-da-Silva, R. H. A., Perim, G., Abdalla, I. G., Costa, N. M. S. C., Lampert, J. B., & Stella, R. C. R. (2009). Abordagens pedagógicas e tendências de mudanças nas escolas médicas. Revista Brasileira de Educação Médica, 33(1), 53-62. http://www.scielo.br/pdf/rbem/v33s1/a06v33s1.pdf

Aguilar da Silva, R. H., & Scapin, L. T. (2011). Utilização da avaliação formativa para a implementação da problematização como método ativo de ensino-aprendizagem. Estudos em Avaliação Educacional, 22(50), 537-552. https://doi.org/10.18222/eae225020111969

Aguilar-da-Silva, R. H., Scapin, L. T., & Batista, N. A. (2011). Avaliação da formação interprofissional no ensino superior em saúde: Aspectos da colaboração e do trabalho em equipe. Avaliação, Campinas; Sorocaba,16(1), 167-184. https://doi.org/10.1590/S1414-40772011000100009

Aguilar-da-Silva, R. H., & Teixeira, L. S. (2010). A importância da avaliação qualitativa na verificação de mudanças curriculares em cursos da área da saúde. Anais do IV Seminário Internacional de Pesquisa e Estudos Qualitativos. São Paulo: Universidade Estadual Paulista.

Aguilar da Silva, R. H. (2014). Professor ser ou estar? São Paulo: Phorte.

Almeida, L. S., Araújo A. M., & Martins, C. (2016). Transição e adaptação dos alunos do 1º ano: Variáveis intervenientes e medidas de atuação. In Leandro S. Almeida & Rui Vieira de Castro (Eds.), Ser estudante no ensino superior: O caso dos estudantes do 1º ano (pp. 146-164). Braga: Universidade do Minho, Centro de Investigação em Educação. http://hdl.handle.net/1822/42318

Almeida, L. S., Costa, A. R., Alves, F., Gonçalves, P., & Araújo, A. (2012). Expectativas académicas dos alunos do ensino superior: Construção e validação de uma escala de avaliação. Psicologia, Educação e Cultura, 16(1), 70-85. http://hdl.handle.net/1822/20072

Almeida, L. S., & Cruz, J. F. A. (2010). Transição e adaptação académica: Reflexões em torno dos alunos do 1º ano da Universidade do Minho. Actas do Congresso Ibérico Ensino Superior em Mudança: Tensões e Possibilidades (pp. 429-440). Braga: Universidade do Minho. http://hdl.handle.net/1822/12069

Almeida, E. G., & Batista, N. A. (2013). Desempenho docente no contexto PBL: Essência para aprendizagem e formação médica. Revista Brasileira de Educação Médica, 37(2), 192-201. http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/7744

Araújo, A. M. (2017). Sucesso no ensino superior: Uma revisão e conceptualização. Revista de estudios e investigación en psicología y educación, 4(2), 132-141. https://doi.org/10.17979/reipe.2017.4.2.3207

Bardin, L. (2010). Análise de conteúdo. Lisboa: Editora Edições 70. ISBN 9789724415062

Benevides-Pereira, A. M. T., & Gonçalves, M. B. (2009). Transtornos emocionais e a formação em Medicina: Um estudo longitudinal. Revista Brasileira de Educação Médica, 33(1), 10-23. https://doi.org/10.1590/S0100-55022009000100003

Bondan, A. P., & Bardagi, M. P. (2008). Comprometimento profissional e estressores percebidos por graduandos regulares e tecnológicos. Paideia, 18(41), 581-590. https://doi.org/10.1590/S0103-863X2008000300013

Brasil (2001). Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES 4/2001. Diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação de medicina. Diário Oficial da União, Brasília, 9 de novembro de 2001. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES04.pdf

Brasil (2013). Lei nº 12.871, de 22 de outubro de 2013. Institui o Programa Mais Médicos, altera as Leis no 8.745, de 9 de dezembro de 1993, e no 6.932, de 7 de julho de 1981. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/L12871.htm

Brasil (2014). Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES 3/2014. Diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação de medicina. Diário Oficial da União, Brasília, 23 de junho de 2014. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=15514-pces116-14&category_slug=abril-2014-pdf&Itemid=30192

Carvalho, C. R. (2013). Adaptação acadêmica e coping em estudantes universitários. (Tese de Mestrado não publicada). Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Universidade Federal de Santa Maria, Rio Grande so Sul.

Costa, N. M. S. (2007). Docência no ensino médico: Por que é tão difícil mudar? Revista Brasileira de Educação Médica, 31(1), 21-30. https://doi.org/10.1590/S0100-55022007000100004

Daltro, M. R., & Pondé, M. P. (2011). Atenção psicopedagógica no ensino superior: Uma experiência inovadora na graduação de medicina. Construção Psicopedagógica, 19(18), 104-123. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-69542011000100010&lng=pt&tlng=pt

Faria, L., Pinto, J. C., & Taveira, M. C. (2014). Perfis de carreira: Exploração vocacional, adaptação acadêmica e personalidade. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 66(2), 100-113. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-52672014000200008

Gomes, A. P., & Rego, S. (2011). Transformação da educação médica: É possível formar um novo médico a partir de mudanças no método de ensino-aprendizagem? Revista Brasileira de Educação Medica, 35(4), 557-566. https://doi.org/10.1590/S0100-55022011000400016

Hoirisch, A., Barros, D. I. M., & Souza, I. S. (1993). Orientação Psicopedagógica no Ensino Superior. São Paulo: Cortez. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S1413-8557199800030000600007&lng=en

Igue, E. A., Bariani, I. C. D., & Milanesi, P. V. B. (2008). Vivência acadêmica e expectativas de universitários ingressantes e concluintes. Psico-USF, 13(2), 155-164. https://doi.org/10.1590/S1413-82712008000200003

Magalhães, M. O. (2013). Sucesso e fracasso na integração do estudante à universidade: Um estudo comparativo. Revista Brasileira de Orientação Profissional, 14(2), 215-226. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-33902013000200007&lng=pt&tlng=pt

Mello Filho, J. (1999). Depoimento de Júlio Mello Filho ao GRAPAL. In Millan, L. R. et al. (Eds.), O universo psicológico do futuro médico (pp. 260-267). São Paulo: Casa do Psicólogo. https://doi.org/10.1590/S1516-44461999000200016

Missaka, H., & Ribeiro, V. M. B. (2011). A preceptoria na formação médica: O que dizem os trabalhos nos congressos Brasileiros de educação médica 2007-2009. Revista Brasileira de Educação Médica, 35(3), 303-310. https://doi.org/10.1590/S0100-55022011000300002

Pagotti, A. W., & Pagotti, S. A. G. (2003). Grupo Ensino: Uma estratégia de intervenção psicopedagógica no Ensino Superior. Revista Psicopedagogia, 20(6), 7-16. http://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/467

Perim, G. L., Abdalla, I. G., Aguilar-da-Silva, R. H., Lampert, J. B., Stella, R. C. R., & Costa, N. M. S. C. (2009). Desenvolvimento docente e a formação de médicos. Revista Brasileira de Educação Médica, 33(1), 70-82. https://doi.org/10.1590/S0100-55022009000500008

Pinheiro, M. A. (2003). Uma época especial: Suporte social e vivências académicas na transição e adaptação ao ensino superior. (Tese de Doutoramento não publicada). Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade de Coimbra.

Pizzol, S. J. S. (2004). Combinação de grupos focais e análise discriminante: Um método para tipificação de sistemas de produção agropecuária. Revista de Economia e Sociologia Rural Brasília, 42(3), 451-468. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0103-7331200900030001300026&lng=pt

Polydoro, S. A. J. (2000). O trancamento de matrícula na trajetória acadêmica do universitário: Condições de saída e de retorno à instituição. (Tese de Doutoramento não publicada). Universidade Estadual de Campinas. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1413-8271200800020000300017&lng=pt

Querido, I. A., Naghettini, A. V., Orsini, M. R. C. A., Bartholomeu, D., & Montiel. J. M. (2016). Fatores associados ao estresse no internato médico. Revista Brasileira de Educação Médica, 40 (4), 565-573. https://doi.org/10.1590/1981-52712015v40n4e00072015

Schweller, M. (2014). O ensino de empatia no curso de graduação em medicina. (Tese de Doutoramento). Universidade Estadual de Campinas. http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/313594

Soares, A. B., Francischetto, V., Dutra, B. M., Miranda, J. M., Nogueira, C. C. C., Leme, V. R., Araújo, A. M. … Almeida, L. S. (2014). O impacto das expectativas na adaptação acadêmica dos estudantes no Ensino Superior. Psico-USF, 19(1), 49-60. https://doi.org/10.1590/S1413-82712014000100006

Stella, R. C. R., Abdalla, I. G., Lampert, J. B., Perim, G. L., Aguilar-da-Silva, R. H., & Costa, N. M. S. C. (2009). Cenários de prática e a formação médica na assistência em saúde. Revista Brasileira de Educação Médica, 33(1), 63-69. https://doi.org/10.1590/S0100-55022009000500003

Teixeira, L. S., & Almeida, L. S. (2017). O uso do questionário de vivências acadêmicas (QVAr) como ferramenta de triagem para estudantes de medicina em risco. In Leandro S. Almeida & Rui Vieira de Castro (Eds.). Ser estudante no ensino superior. As respostas institucionais à diversidade de públicos (pp.43-63). Braga: Universidade do Minho, Centro de Investigação em Educação. http://hdl.handle.net/1822/45129

Teixeira, L. S., Cavalcanti, M. T., & Silva, R. H. A. (2011). Avaliações internas e externas para a consolidação das propostas do curso médico em direção às DCN. In 49º Congresso Brasileiro de Educação Médica, Belo Horizonte. http://abem-educmed.org.br/wpcontent/uploads/2016/07/Anais-correto.pdf

Teixeira, L. S. (2015), Implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso Médico: A mudança de paradigma e suas consequências. (Tese de Doutoramento não publicada). Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Trad, L. A. B. (2009). Grupos focais: Conceitos, procedimentos e reflexões baseadas em experiências com o uso da técnica em pesquisas de saúde. Physis, 19(3), 777-796. https://doi.org/10.1590/S0103-73312009000300013

Trindade, L. M. D. F., & Vieira, M. J. (2009). Curso de medicina: Motivações e expectativas de estudantes iniciantes. Revista Brasileira de Educação Médica, 33(4), 542-554. https://doi.org/10.1590/S0100-55022009000400005

Zonta, R., Robles, A. C. C., & Grosseman, S. (2006). Estratégias de enfrentamento do estresse desenvolvidas por estudantes de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina. Revista Brasileira de Educação Médica, 30(3), 149-152. https://doi.org/10.1590/S0100-55022006000300005




DOI: https://doi.org/10.17979/reipe.2018.5.1.3349

Enlaces refback

  • No hay ningún enlace refback.


Licencia Creative Commons

Esta revista es continuación de: Revista Galego-Portuguesa de Psicoloxía e Educación (años 1997-2013) - ISSN: 1138-1663.