Necessidades Educativas Especiais e funcionamento parental: indicadores de bem-estar e suporte social
Resumen
O presente estudo enquadra-se numa linha de investigação sobre a influência do suporte social em famílias de crianças com Necessidades Educativas Especiais, em particular a ligação entre o suporte social e indicadores importantes de saúde e bem-estar parental e familiar. O suporte social pode ser definido como uma transação interpessoal de ajuda e assistência emocional, psicológica, informativa, instrumental ou material, proporcionada pelos membros da rede social que influenciam de uma forma positiva o comportamento. As relações proporcionadas pela rede social de apoio operam nos vários níveis ecológicos e incluem as relações próximas e íntimas, amizade e laços familiares e contactos comunitários formais e informais. Atualmente, o suporte social é reconhecido como um construto complexo e multidimensional, que interage com outros fatores intrapessoais e interpessoais numa complexa interação que influencia o funcionamento do indivíduo. Foram definidos os seguintes objetivos: i) proceder a análises diferenciais entre os subgrupos de pais ou cuidadores de crianças com NEE (crianças com incapacidade intelectual; crianças com problemas motores e crianças com perturbações do espectro do autismo) nas variáveis suporte social e satisfação com a vida; ii) compreender as relações entre as variáveis de suporte social e satisfação com a vida. Trata-se de uma investigação com um plano não experimental e correlacional. A seleção dos sujeitos foi por conveniência e, para o efeito, constituímos uma amostra de 152 pais, com três subgrupos: 82 pais de crianças com incapacidade intelectual, 37 pais de crianças com problemas motores e 33 pais de crianças com autismo. Os dados foram recolhidos em agrupamentos de escolas e em instituições de apoio à deficiência localizadas numa cidade da região centro de Portugal. Os instrumentos de recolha foram a Escala de Satisfação com a Vida (Neto, Barros & Barros, 1990; Simões, 1992), que avalia a dimensão cognitiva do bem-estar; Questionário de Suporte Social – versão abreviada (Pinheiro & Ferreira, 2001) e um Questionário Parental (dados sociodemográficos e familiares). Os resultados revelam que existem correlações significativas e positivas entre o suporte social social e o bem-estar (na dimensão satisfação com a vida). As análises diferenciais revelam que existem diferenças estatisticamente significativas entre os subgrupos de pais de crianças no que diz respeito às dimensões suporte social e satisfação com a vida. Os progenitores das crianças com autismo revelam valores significativamente mais elevados no suporte social (disponibilidade do suporte e satisfação com o suporte) e na satisfação com a vida.Referencias
Almeida, L.S. & Freire, T. (2003). Metodologia de investigação em Psicologia e Educação. Braga: Psiquilíbrios.
Benson, P.R. & Karlof, K.L. (2009). Anger, stress proliferation, and depressed mood among parents of children with ASD: A longitudinal replication. Journal. Autism Dev. Disord., 39, 350-362.
Diener, E. (2009). Assessing subjetive well-being: Progress and opportunities. In E. Diener (Ed.), Assessing well-being.The collected works of Ed Diener. Social Indicators Research Series (pp. 25-65). London New York: Springer.
Dunst, C.J.; Trivette, C.M. & Deal, A.G. (1994). Supporting and strengthening families: Methods, strategies and practices. Cambridge, MA: Brookline Books.
Dunst, C.J.; Trivette, C.M. & Jodry, W. (1997). Influences of social support on children with disabilities and their families. In M.J. Guralnick (Ed.), The effectiveness of early intervention (pp. 499-522). Baltimore, Maryland: Paul H. Brooks.
Felizardo, S.M.A.S. (2013). Deficiência, família(s) e suporte social: contextos e trajetórias de desenvolvimento para a inclusão. Tese do Doutoramento não publicada. Universidade de Coimbra (Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação).
Gupta, A. & Singhal, N. (2004). Positive perceptions in parents of children with disabilities. Asia Pacific Disability Rehabilitation Journal, 15 (1), 22-35.
Heiman, T. (2002). Parents of children with disabilities: Resilience, coping and future expectations. Journal of Developmental and Physical Disabilities, 14 (2), 159-171.
Neto, F.; Barros, J. & Barros, A. (1990). Satisfação com a vida. In L. Almeida; R. Santiago; P. Silva; O. Caetano & J. Marques (Eds.), A ação educativa: análise psicossocial (pp.105-117). Leiria: ESEL/ APPORT.
Nunnaly, J.C. & Bernstein, I. (1994). Psychometric theory. NewYork: McGraw-Hill.
Pavot, W. & Diener, E. (2009). Review of the satisfaction with life scale. In E. Diener (Edit.), Assessing well-being. The collected works of Ed Diener. Social Indicators Research Series (pp. 101-117). London New York: Springer.
Pinheiro, M.R.M. (2003). Uma época especial. Suporte social e vivências académicas na transição e adaptação ao ensino superior. Dissertação de Doutoramento não publicada. Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade de Coimbra.
Pinheiro, M.R.M. & Ferreira, J.A.G. (2002). O questionário de suporte social: Adaptação e validação do SSQ6. Psychologica, 30, 315-333.
Saranson, I.G.; Levine, H.; Basham, R. & Saranson, B. (1983). Assessing social support: The Social Support Questionnaire. Journal of Personality and Social Psychology, 44, 127-139.
Simões, A.; Ferreira, J.A.; Lima, M.P.; Pinheiro, M.R.M.M.; Vieira, C.M.C.; Matos, A.P.M. & Oliveira. (2000). O bem-estar subjetivo: Estado atual dos conhecimentos. Psicologia, Educação e Cultura, Vol. IV, 2, 243-279.
Sousa, L. & Ribeiro, C. (2005). Perceção das famílias multiproblemáticas pobres sobre as suas competências. Psicologia, Vol. XIX (1-2), 169-191.
Los trabajos publicados en esta revista están bajo una licencia Creative Commons Reconocimiento-CompartirIgual 4.0 Internacional.
Los autores ceden el derecho de la primera publicación a la Revista de Estudios e Investigación en Psicología y Educación, la cual podrá publicar en cualquier lengua y soporte, divulgar y distribuir su contenido total o parcial por todos los medios tecnológicamente disponibles y a través de repositorios.
Se permite y anima a los autores a difundir los artículos aceptados para su publicación en los sitios web personales o institucionales, antes y después de su publicación, siempre que se indique claramente que el trabajo pertenece a esta revista y se proporcionen los datos bibliográficos completos junto con el acceso al documento, preferiblemente mediante el DOI (en caso de que sea imprescindible utilizar un pdf, debe emplearse la versión maquetada por el editor).
