Programas de escrita inventada desenvolvidos com crianças do pré-escolar

Margarida Cid-Proença, Andreia Silva-Reis, Margarida Alves-Martins

Resumen


Diversos estudos sobre programas de escrita inventada com crianças do pré-escolar têm revelado a eficácia desses programas de intervenção na evolução das escritas das crianças. Os programas até agora desenvolvidos têm usado palavras apresentadas de forma descontextualizada. Por outro lado, têm também sido organizados de modo a que, em cada uma das sessões, sejam apresentadas palavras em que a 1ª letra seja sempre a mesma e em que a introdução das várias letras seja progressiva. Sendo uma das preocupações atuais a transição deste tipo de programas para salas de jardim-de-infância, de forma a poderem ser integrados nas atividades normalmente desenvolvidas em contextos naturais, o presente estudo procurou testar a eficácia de dois programas de escrita inventada, em que as palavras apresentadas surgiam inseridas em materiais usados geralmente em contextos de jardim-de-infância, e em que a sequência de apresentação das várias palavras foi variável. Partimos da hipótese de que estes programas seriam ambos eficazes na promoção do desenvolvimento da escrita das crianças dos grupos experimentais face ao grupo de controlo. Assim, o presente estudo seguiu um delineamento experimental com uma fase de pré-teste, programa de intervenção, para os grupos experimentais, e um pós-teste. A investigação contou com a participação de 61 crianças de 5 anos que frequentavam dois jardins-de-infância. Estas foram divididas em 3 grupos (dois grupos experimentais e um grupo de controlo) tendo em conta o nível de desenvolvimento cognitivo, a consciência fonológica (silábica e fonémica) e as letras conhecidas. O pré-teste e o pós-teste consistiram numa prova de escrita de palavras isoladas. Os grupos experimentais participaram em 10 sessões de escrita inventada, conduzidas em pequenos grupos de 4 crianças, em que estas foram induzidas a discutir a forma como algumas palavras se escreviam até chegarem a acordo, sendo essa discussão mediada pelo adulto. Em todas as sessões as palavras trabalhadas estavam integradas em histórias, canções, lengalengas ou poemas que começavam por ser lidos a cada grupo no início de cada sessão. O grupo de controlo participou em sessões de leitura desses mesmos materiais. As palavras trabalhadas nas sessões dos dois programas experimentais foram as mesmas, mas a ordem com que foram introduzidas e, portanto, trabalhadas foi diferente. Num dos grupos experimentais foram introduzidas, em cada uma das sessões, palavras começadas sempre pela mesma letra, enquanto no outro foram introduzidas, em cada uma das sessões, palavras começadas por mais do que uma letra. Os resultados foram analisados comparando as diferenças no desenvolvimento da escrita das crianças do pré para o pós-teste entre os vários grupos. Foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos experimentais e o grupo de controlo, demonstrando a eficácia destes programas no desenvolvimento da escrita. As implicações educativas deste estudo serão discutidas, em particular a forma como este tipo de atividades poderão ser integradas em contexto de jardim-de-infância, de modo a potenciar as competências das crianças na área da escrita.

Palabras clave


Escrita inventada; Programas de intervenção; Pré-escolar

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DOI: https://doi.org/10.17979/reipe.2015.0.09.333

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Esta revista es continuación de: Revista Galego-Portuguesa de Psicoloxía e Educación (1997-2013) - ISSN: 1138-1663.