A práxis do viver como epistemologia: o saber sentido da/na escola como forma de emancipação da condição humana no viver na terra

  • Cláudia Moraes da Costa Vieira Secretaria de Educação do Distrito Federal.
  • Cláudia Pato Universidade de Brasília-UNB
Palabras chave Catadores de material reciclável, Educação Ambiental, Ecologia Humana, Método autoecobiográfico, Trajetória de vida

Resumo

Estudos têm demonstrado a ausência da instituição escolar na trajetória de vida de grupos empobrecidos como o dos catadores de material reciclável. O objetivo do trabalho foi compreender as trajetórias de vida e os processos escolares de estudantes filhos de catadores de material reciclável de uma escola pública do Distrito Federal-DF, localizada no Brasil. Propôs-se o método autoecobiográfico, centrado em oficinas, observação participante e o diário de campo, baseando-se na fenomenologia e na hermenêutica para as análises do processo. Participaram 65 estudantes do 4º ano do ensino fundamental. Pode-se inferir que a sobrevivência e a vivência no Aterro sanitário apontam para a degradação socioambiental e do trabalho, mas assinalam a complexidade do encontro da preca riedade e da criatividade. A família é o território das relações afetivas, onde trabalho e vida se entrelaçam. A escola emerge como território de contradição, mas aponta a existência de elementos de positividade. O pertencimento ao lugar, em que símbolos, relações e histórias se instituem como elementos fundantes para autobiografias e para a biografia coletiva. Destaca-se, portanto, a importânciada escuta desses estudantes pela escola para a constituição de utopias baseadas em autoeducação, autoconsciência e autonomia como um modo de reconectar a educação escolar à vida.

Citas

ALTERTHUM, Camila Carvalhal. O encontro com crianças filhas de catadores de papel: sinalizações para uma creche e uma pesquisa com a “nossa cara”. Belo horizonte, 2005. p.126 Dissertação (mestrado em Educação) – Universidade Federal de Minas Gerais; 2005.

BARBOZA, Daiani. As múltiplas cidades na cidade: as relações estéticas dos catadores de material reciclável com a polifonia urbana. Santa Catarina, 2013. 276p. Tese Doutorado em Psicologia. Universidade Federal de Santa Catarina; 2012.

CAVALCANTE, Andressa Lustosa. Os fatores que contribuem para o trabalho infantil no lixão da cidade Estrutural-DF – Brasília, 2014. 34p. Monografia apresentado ao curso de Graduação em Serviço Social. Universidade Católica de Brasília; 2014. Disponível em: <http://repositorio.ucb.br/jspui/handle/10869/4384>. Acesso: 10 jul. 2015.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 6ed. Rio de janeiro. Paz e Terra. 1997.

JOSSO, Marie-Christine. As histórias como territórios simbólicos nos quais se exploram e se descobrem formas e sentidos múltiplos de uma existencialidade evolutiva singular-plural. In: PASSEGGI, M. C. (Org.). Tendências da pesquisa (auto) biográfica. Natal: EDUFRN; São Paulo, SP: Paulus, 2008. p. 23-50.

PEREIRA, Maria izabel Galvão Gomes Pereira. Práticas educativas, territórios e biografização: reflexões a parti da educação rural. In: PASSEGGI, M. C. (Org.). Tendências da pesquisa (auto) biográfica. Natal: EDUFRN; São Paulo, SP: Paulus, 2008. p.145-164.

RICOEUR, Paul. Teoria da Interpretação. Lisboa: Edições 70 Ltda, 1976.

RICOEUR, Paul. O conflito das interpretações: ensaios de hermenêutica. Rio de Janeiro: Imago, 1978.

RICOEUR, Paul. Interpretações e ideologias. Rio de janeiro: livraria Francisco Alves, 1990.

RICOEUR, Paul. Tempo e Narrativa (Tomo I). São Paulo: Papirus, 1994.

RICOEUR, Paul. Tempo e narrativa (Tomo III). São Paulo: Papirus, 1997.

SOUZA, Elizeu Clementino. O conhecimento de si: narrativas do etinerário escolar e formação de professores. Bahia, 2004. 337 f. Tese Doutorado em Educação – Universidade Federal da Bahia; 2004. Disponível em: <https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/10267/1/Tese_Elizeu%20Souza.pdf.>. Acesso em: 10 jul. 2014.

SOUZA, Elizeu Clementino. A arte de contar e trocar experiências: reflexões teórico-metodológicas sobre história de vida em formação. Natal, 2006. Revista Educação em Questão. v. 25, n. 11, p. 22-39, jan./abr. 2006. Disponível em: <http://www.revistaeduquestao.educ.ufrn.br/pdfs/v25n11.pdf>. Acesso em: jun. 2015.

SOUZA, Elizeu Clementino; PASSEGGI, Maria da conceição. (Auto) biografia: Pesquisa e práticas de formação. Belo Horizonte 2011. Educação em Revista, vol.27, n.01. p.1-3. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010246982011000100014>. Acesso em: 15 jun. 2013.

VIEIRA, Cláudia Moraes da Costa. A práxis do viver como epistemologia: o saber sentido da/na escola como forma de emancipação da condição humana no viver na terra, 2016. 261f. Tese de Doutorado em Educação – Universidade de Brasília; 2016. Disponível em: http://repositorio.unb.br/handle/10482/21924

Publicado
2018-03-16
Como citar
Moraes da Costa Vieira, C., & Pato, C. (2018). A práxis do viver como epistemologia: o saber sentido da/na escola como forma de emancipação da condição humana no viver na terra. AmbientalMENTEsustentable, 23-24(1), 263-279. https://doi.org/10.17979/ams.2017.01.023-024.3383